7 de ago. de 2011

Uma Geração de Excesso

          Excesso de comidas, de bebidas, de sexo, de drogas, de compras, de dietas, de exercícios, de magreza, de peso, enfim excessos. Falar de excesso é falar de uma falta, de angústia, de desejo e de prazer. Aonde existe um excesso há também um prazer, por isso que às vezes é tão difícil de deixá-lo. 
 Para a Psicanálise o homem é sujeito da falta, logo se algo falta cria-se um desejo. Para preenchê-la, o ser humano procura um objeto fora dele na tentativa de se fazer completo. Por objeto podemos entender qualquer coisa que ofereça ao sujeito uma satisfação e um prazer.
A quantidade de ofertas sedutoras de objetos que prometem tamponar o furo, o vazio, e dar a ilusão de completude, de um gozo intenso e imediato é o que mais existe na sociedade moderna. Mas será que existe um objeto capaz de trazer a felicidade?      
 O capitalismo nos diz que sim e oferece vários objetos para que deles se possa gozar. O problema é que o sujeito percebe que quando consegue o que tanto queria, não era bem aquilo e passa a desejar outra coisa e dessa forma vira uma bola de neve, aonde a satisfação nunca é alcançada. Coloca-se a felicidade sempre no futuro, na ilusão de que um dia nada lhe faltará.
        O ser humano não quer saber da sua própria dor, própria falta, então sai literalmente se entupido, de qualquer coisa que seja comida, roupas, estudos, bebidas para não se deparar com o vazio, a solidão e a angústia.
        Como diferenciar o que é normal e o que é um excesso? É muito difícil falar de um padrão de normalidade hoje em dia, mas o que se pode dizer que se torna prejudicial quando há uma compulsão e/ou quando causa sofrimento á pessoa. Mas e o que causa esses excessos? Não existe uma única causa, a origem tem haver com toda a história de vida da pessoa, principalmente á infância.
             Se a psicanálise é a que aborda os “excessos” nessa cultura, também é a que aponta as saídas. Para Sigmund Freud não existe um método capaz de resolver o problema de todos, da mesma forma, porque cada pessoa é única. É através da própria fala do paciente, seu sofrimento, seu sintoma que se pode falar em tratamento, em um processo de análise.

Daniella Bittencourt – Psicóloga CRP 12/07184  – Membro Voluntária da Ceres Associação Criciumense de Apoio à Saúde Mental

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