7 de ago. de 2011

Esquizofrenia: Uma doença de várias faces

A esquizofrenia é uma doença mental complexa, que tem como características principais as alterações no comportamento e a distorção   na percepção da realidade por parte do paciente. Essas alterações vão  levar a desorganização global da conduta e ao declínio progressivo das habilidades sociais. A fase aguda da doença é conhecida como “surto psicótico”, no qual ocorrem alucinações e delírios. As alucinações  podem se manifestar de várias formas, desde ouvir vozes inexistentes a sentir cheiro de podre em objetos íntegros. Nos delírios, o doente esta com a mente tão confusa que muitas vezes pode se defender ou atacar em situações inofensivas, além de falar sozinho ou tomar atitudes estranhas e inesperadas. Outro sintoma comum na esquizofrenia é o afeto plano ou embotado, quando o paciente não  demonstra emoção com as coisas. A tendência ao isolamento, a apatia e a pobreza do pensamento completam o quadro. Todos esses fenômenos  devem-se a uma série de descompensações  bioquímicas no cérebro, quando a transmissão de impulsos nervosos ficam estimulados ou limitados demais, prejudicando muitas funções mentais necessárias para a organização das idéias, interpretação dos fatos, e controle adequados de impulsos.
A esquizofrenia nem sempre se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. O tipo mais comum é a denominada “esquizofrenia paranóide”. Nesta, situações de desconfiança, delírios de perseguição e agressividade são freqüentes. Existem ainda os subtipos desorganizado, catatônico, hebefrênico, indiferenciado e residual. Essa classificação muitas vezes não é tão clara. A esquizofrenia afeta o mundo todo, igualmente homens e mulheres, atingindo aproximadamente 1% da população em geral. A idade média do início dos sintomas clínicos é entre 16 e 26 anos. As causas dessa doença envolvem tanto fatores genéticos como ambientais. Ou seja, apesar de já haver uma pré-disposição do indivíduo para ficar doente,  situações vivenciadas pela pessoa ao longo do tempo, até mesmo na vida intra-uterina, podem ser decisivas no desenvolvimento do quadro. Pela heterogeneicidade dos seus sintomas, a esquizofrenia pode ser confundida com outras doenças, como demências, depressão, transtornos de ansiedade, transtorno de humor bipolar, intoxicação por drogas ou lesões cerebrais neurológicas.
O tratamento da esquizofrenia sempre envolve medicamentos. As principais drogas usadas para tratar essa condição são  chamadas de anti-psicóticas. Elas podem ser tomadas por via oral ou administradas através de injeções intra-musculares. As injeções   são preferidas nas emergências ou quando o doente não faz o tratamento regularmente, necessitando sucessivas internações. Uma grande dificuldade que a equipe de saúde pode enfrentar é a adesão do paciente ao plano de tratamento, pois muitas vezes o esquizofrênico não acredita que precise dos remédios. Sendo assim, a presença da família é fundamental. Hoje, existem fármacos eficientes, que além de reduzir bastante o risco de crises e surtos, também ajudam na readaptação social, melhorando a motivação e a iniciativa do paciente. Também é importante a inclusão em programa de psicoterapia ou terapia ocupacional. Quando o tratamento não é executado, o desfecho  é trágico, já que o portador não consegue se organizar em família, permanecer em um emprego por muito tempo, e manter seus auto-cuidados. Muitos acabam tendo que viver nas ruas, de forma precária, e outros acabam cometendo suicídio.
Dr Marcos Paulo Nacif – Médico Psiquiatra CRM/SC 9283 - Membro voluntário da Ceres – Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diga aqui o que você achou.